Cliconnect oferece serviço domiciliar de voz pela rede mundial.
Se depender das grandes operadoras de telefonia brasileiras, usar a conexão com a internet para conversar com outras pessoas a partir de nossa casa pode demorar. Companhias como Brasil Telecom, Embratel, Telefônica e Telemar estão atentas à tecnologia de voz sobre IP, o protocolo da internet. Elas já oferecem esses serviços para grandes clientes corporativos. Mas ainda estão em dúvida sobre como levar isso ao mercado residencial.
Enquanto as grandes operadoras não apresentam aos consumidores serviços com essa tecnologia, concorrentes menores apostam na voz sobre IP para conquistar clientes. É o caso da Cliconnect, operadora que atua na mesma região do país que a Telefônica. Ela promete oferecer em breve um serviço até o momento inédito no País.
Trata-se de um telefone especial ligado à internet , que pode fazer ligações para qualquer pessoa, não só para aquelas que estão conectadas à rede mundial. A novidade também vai permitir que você converse com pessoas até no Japão, ao custo de uma ligação local. "Devemos lançar esse serviço dentro de algumas semanas", diz Olavo Dietrich, presidente da empresa.
Esse telefone não usa linha comum, como aquela que vem do poste e você costuma usar quando faz a assinatura de uma operadora convencional. Ele funciona com a conexão da internet, igual àquela que é ligada no computador. E só. Uma vez conectado à rede mundial de computadores, o aparelho funciona como um telefone comum.
A vantagem é que ele pode ser usado de qualquer lugar do mundo. Por exemplo, se você tem um telefone desses em São Paulo, pode levá-lo para a Bahia e usá-lo de lá. Como se ainda estivesse em São Paulo. Quem ligar para você, não vai precisar digitar nenhum código especial, só o seu número. Também não vai pagar interurbano. E o contrário também acontece. Ou seja, você pode ligar para qualquer pessoa que estiver na capital paulista, como se não tivesse saído da cidade. E pagando o mesmo preço de uma ligação local. Para isso, é só ligar o telefone à internet.
De acordo com Olavo, será possível ter mais de uma linha dentro do mesmo telefone. Dá para contratar uma linha no Rio de Janeiro, para ligar para os parentes que moram lá, e uma outra em Nova York, para conversar com os contatos de trabalho.
"Você reduz os gastos com as ligações e reduz as barreiras que as pessoas têm em fazer chamadas internacionais", diz Olavo. O preço do serviço ainda não foi anunciado. Segundo o executivo, ele funcionará como os cartões pré-pagos dos celulares. Você compra créditos que vão sendo debitados à medida em que telefona. O telefone poderá ser comprado ou alugado, dependendo do interesse do cliente.
OUTROS SERVIÇOS
Outra operadora que já oferece serviços para os clientes residenciais no País é a GVT, que atua na mesma região do País que a Brasil Telecom. Seu WebFone serve para falar de qualquer lugar do mundo, como se você estivesse em sua cidade de origem. É o caso de quem viaja e leva o telefone junto. "Ele é uma extensão da linha", diz Alcides Troller Pinto, diretor de Marketing da GVT.
Já o WebFone Virtual permite que um assinante contrate uma linha em outro Estado. Ele pode morar em Curitiba, mas ter uma linha virtual em Porto Alegre. Com isso, ele pode falar com amigos de Porto Alegre, pagando o preço de uma ligação local.
A principal diferença dos serviços da GVT é que eles funcionam via computador. O usuário precisa instalar um programa no notebook ou no computador conectado à internet. Além disso, ele vai precisar usar um fone de ouvido e um microfone para conversar com outras pessoas. É através do PC que são feitas as ligações.
EVOLUÇÃO É INEVITÁVEL
Até agora, apenas as operadoras menores se mostram interessadas em oferecer serviços de voz sobre IP ao consumidor final. Para elas, é uma maneira de aumentar a carteira de clientes.
Para as grandes operadoras, porém, a mudança de tecnologia é mais complicada. "A voz sobre IP muda muito a forma como as grandes operadoras trabalham", diz Eliana Silveira, analista de Telefonia da consultoria Lafis.
Um dos problemas é conciliar a estrutura da telefonia convencional com a tecnologia de voz sobre IP, o que significa mais gastos para as companhias. Há, ainda, o fato de que as operadoras perdem receita, principalmente nas chamadas de longa distância. "A telefonia pela internet mata o conceito das ligações de longa distância", diz Leonel. Como conseqüência, reduz o faturamento das empresas.
Por isso, algumas empresas ainda silenciam sobre como pretendem usar a nova tecnologia. Procurada pela reportagem do Estado, a Telefônica se limitou a dizer que está "preparada a oferecer serviços de voz sobre IP quando for adequado a seus clientes".
A Brasil Telecom segue a mesma linha. "Assim que acharmos o momento adequado, faremos um posicionamento sobre os serviços", diz Ricardo Couto, diretor de Produtos e Serviços da operadora. Ele reconhece, porém, que o futuro é a telefonia pela internet. "Apostamos na tecnologia IP e na convergência de aplicações". |