GM na busca pela mobilidade
A montadora troca todos os seus telefones por terminais IP e
espera economizar até 40% nos custos de telecomunicações
Fim do ano de 2002, momento típico de retrospectivas e prospectivas, Mauro Pinto , diretor de tecnologia da informação da General Motors, afirma sem dúvida nenhuma que mobilidade seria o foco para os próximos três anos. O motivo? “Será o instrumento de trabalho e a forma de viabilizar a colaboração da empresa”. Fim do mês de junho de 2005, o executivo convida a imprensa para anunciar que sua expectativa se cumpriu e nos próximos dois meses não terá mais telefone na sua mesa. Ele ainda promete: “Quero acabar com os telefones dos funcionários da GM”.
A busca do executivo pela mobilidade só é viável porque a montadora finalizou o projeto de telefonia IP após dois anos de pesquisa e testes com nove fornecedores no País. A Siemens venceu a disputa e arcou com todo o custo dos equipamentos, terminais e softphones, fabricados pela própria empresa, além dos necessários ajustes da rede de dados baseada em tecnologia Cisco e a adaptação da infra-estrutura física e tecnológica necessária para suportar a tecnologia IP.
“Outros concorrentes tinham a mesma história de visão de futuro, de tecnologia e voltada para o cliente, mas a Siemens ganhou na questão econômica”, observa Mauro Pinto. E o quesito que levou a empresa a fechar o contrato com a GM realmente é decisivo, pois envolveu um aporte da ordem de milhões de dólares. Marcos Cunha , diretor da Siemens Communications, revela que a amortização desse investimento acontecerá somente em 2007, quando está previsto o fim do contrato.
Mas não é só isso. Além de investir alto em hardware, software e em técnicos para viabilizar o projeto, a Siemens ainda ficou responsável em eliminar todas as centrais telefônicas de diversos fabricantes, em manter todo o sistema funcionando e ainda cuidar da inovação do sistema,que inclui não só os terminais sem fio como também a implantação de novos aplicativos inteligentes como roteamento de menor custo para as ligações que caem na rede de telefonia tradicional.
O grande ganho da Siemens não está apenas em ter conquistado um grande case nacional de outsourcing total de telefonia IP. Isso porque este projeto será a base de estudo para a estratégia global da General Motors e poderá resultar em uma aliança válida para todas as filiais da montadora norte-americana.
PROJETO
Para criar um autêntico sistema de telefonia IP, a montadora exigiu que o parque de centrais telefônicas heterogêneas fosse totalmente substituído. Assim, a Siemens implantou sua plataforma HiPath nos 18 escritórios regionais do País, sendo que em São Caetano e São José dos Campos existem duas plataformas. Ou seja, a Siemens criou uma rede de voz interligada ao backbone de dados com tecnologia 100% Cisco.
Esse ambiente de rede suporta 4 mil telefones IP, espalhados pelos 18 escritórios regionais da GM no Brasil, 20 ramais IP locais implantados em 10 países da região Mercosul, além de 2,8 mil telefones convencionais com funcionalidades IP. Dessa forma, não há nenhuma conversão da voz tradicional para voz sobre IP. Pelo menos, não entre as ligações feitas entre os 18 escritórios regionais e os 10 internacionais.
Outro benefício de um sistema de voz 100% IP é a facilidade em explorar serviços como áudio-conferência, portais de voz e, principalmente, o acesso ao sistema independente do lugar em que esteja. Essa ferramenta, aliás, foi o principal motivo para apostar no projeto, pois traz a mobilidade tão perseguida por Mauro Pinto. Com o sistema, qualquer funcionário da GM, independente de onde esteja, pode acessar a Web via banda larga, entrar no portal da montadora, baixar seu ramal IP e realizar ligações como se estivesse dentro da empresa. Isso significa não pagar nada em ligações para os demais funcionários da empresa e pagar tarifa local caso esteja em uma viagem internacional e queira ligar para um cliente ou familiar que esteja no Brasil.
RESULTADOS
O corte de 40% nas despesas de telecomunicações dos escritórios regionais, a queda das ligações internacionais e a redução de viagens internacionais já eram resultados garantidos pela Siemens, uma vez que estão atrelados à automação gerada pela própria tecnologia. O que foi considerado surpresa, e sucesso, pela GM, foi a adesão dos usuários às funcionalidades permitidas pela tecnologia IP.
O uso da videoconferência, por exemplo, caiu pela metade no período de um ano. Motivo? “Questões que envolvem processos burocráticos não precisam do conceito olho no olho porque podem ser resolvidas de forma virtual. Isso porque as pessoas estão aprendendo a falar, e resolver problemas, de forma remota”, conta Mauro Pinto. Por outro lado, a aplicação de conferência existente no sistema VoIP tornou-se hábito dentro da montadora. Entre março e maio de 2005, quando o projeto de telefonia IP já estava finalizado, os usuários passaram a realizar 794 áudio-conferências ao mês contra a média de 223.
O sistema de voice mail centralizado foi outra aplicação que deu certo, passando de 1,5 mil para 4 mil usuários. A adesão triplicou o número de mensagens gravadas nos ramais telefônicos, entre março e maio de 2005 (de 11 mil para 33 mil mensagens gravadas e passou de 1,2 mil para 9,6 mil horas de gravações).