A receita para cortar custos com telefonia
Caixa Econômica Federal e Unibanco migram seus PABX tradicionais para roteadores IP e reduzem despesas com telecomunicações entre as agências.
As operadoras que fornecem serviços de voz à Caixa Econômica Federal deixaram de faturar R$ 7,5 milhões com ligações locais e interurbanas em 2003. Este é o valor que o banco estatal planejava cortar durante o ano com a migração do tráfego de voz interno de 40 centrais para uma rede IP. Até o momento, a CEF já transferiu o tráfego de 30 dessas centrais, o que tem gerado uma economia de R$ 100 mil/mês das despesas com comunicação corporativa.
Entre todas, porém, a que menos deve sofrer o impacto é a Intelig - fornecedora das linhas privadas de 155 Mbps por meio de uma VPN IP, interligando sete prédios localizados nas cidades de Belo Horizonte, Osasco, Rio de Janeiro e Brasília. Isso, se a CEF decidir realmente aumentar a banda em algumas rotas dessa rede para suportar a demanda de voz corporativa.
A perda de receita na área de voz deve se acentuar a partir do segundo semestre do ano que vem, quando o banco transferir também o tráfego dos serviços 0800 para a rede IP.
Até mesmo as ligações telefônicas externas estarão dentro da política de contenção de custos. O gerente nacional de telecomunicações da CEF, Ruy César Ramos Filho, diz que planeja reduzir em 25% as despesas da telefonia local e nacional, que não se refere à comunicação entre agências.
Para tal, o banco vai realizar uma licitação, cujo edital deve ser divulgado ainda este mês.
Duas outras instituições que pretendem cortar custos com telefonia nas agências são o Unibanco e o Banco Santos. O diretor de TI do Unibanco, José Cristovão Martins, informa que serão desativadas duas linhas que suportam o tráfego de voz de 50 agências. O banco já havia adotado a solução de voz sobre rede de dados há cerca oito anos, quando migrou todo tráfego interno dos 40 prédios administrativos para uma WAN baseada em Frame Relay.
TECNOLOGIA PARA POUCOS
Um pouco mais adiantado no seu projeto, até porque conta apenas com dez agências espalhadas pelo país, o Banco Santos migrou o tráfego de pelo menos dois ramais de cada uma delas para a rede IP. "Não obtivemos redução de custos porque estamos aumentando cada vez mais a banda de dados. Também não há plano de cortar as despesas com telecomunicações, em números absolutos, porque estamos em fase de grande expansão", afirma Maurício Guelter, CIO do Banco Santos.
Apesar das iniciativas de migração do tráfego de voz para redes IP (VoIP) ainda estarem numa fase inicial no Brasil, não há dúvida que as operadoras devem perder uma fatia expressiva de receita com essa mudança.
Hoje, quase 80% do faturamento das concessionárias vêm dos serviços de voz e as receitas obtidas com a transmissão de dados ainda são marginais, portanto dificilmente conseguirão equilibrar a queda com o deslocamento do tráfego de voz para as redes IP.
Como atenuante, as operadoras contam com o fato de a voz sobre IP ainda não ser viável financeiramente para toda corporação. "A demanda de 75% das agências da Caixa Econômica Federal não justifica os investimentos necessários para viabilizar a voz sobre IP", confirma Ramos Filho, adiantando que das 2 mil centrais que suportam a comunicação do banco estatal, apenas 40 delas serão conectadas à rede IP. De todo modo, ele avalia que a redução deve ser significativa, já que essas centrais representam 70% dos custos de voz da instituição.
"Já conseguimos sensíveis reduções no consumo de dados, que representa cerca de 60% de nossos gastos. Entretanto, estamos observando um crescimento considerável nas despesas com voz e se conseguirmos cortar 40% desse custo com projeto de VoIP já teremos uma boa economia", observa.
Para o diretor de TI do Unibanco, José Cristovão Martins, a voz sobre IP não é viável para agências com baixo consumo. Tanto que 850 agências do banco estão fora da implantação.
"Mesmo assim, apenas com a incorporação de 50 delas, vamos ter uma economia de 25% no total das despesas com telecomunicações. Hoje, somente a assinatura da concessionária custa cerca de R$ 45 contra R$ 30 pagos pela mensalidade com o serviço de VoIP", afirma Martins. A Primesys, que adquiriu em 2001 a rede de dados do Unibanco, é quem oferece o serviço à instituição.