Qualidade de Serviço em VoIP - Parte 2
O exemplo a seguir considera uma conexão serial T3 (45 Mbps); limita o tráfego Web (lista 101) em 20 Mbps,
transmitindo o tráfego conformante com precedência IP em 5 e o tráfego excessivo com precedência 0;
limita o tráfego FTP (lista 102) em 10 Mbps, transmitindo o tráfego conformante com precedência IP em 5 e
descartando o tráfego excessivo;
interface Hssi0/0/0
description Conexão 45Mbps para o roteador 3 rate-limit output access-group 101 20000000 24000 32000
conform-action set- prec-transmit 5 exceed-action set-prec-transmit 0 rate-limit output access-group 102
10000000 24000 32000 conform-action set-prec-transmit 5 exceed-action drop rate-limit output 8000000 16000
24000 conform-action set-prec-transmit 5 exceed-action drop ip address 10.1.1.10 255.255.255.0
! access-list 101 permit tcp any any eq www access-list 102 permit tcp any any eq ftp
e limita todo o tráfego restante em 8 Mbps, transmitindo a parte que está em conformidade com precedência
5 e descantando todo o tráfego excessivo, sendo o normal_burst de 16.000 bytes e o extended_burst
de 24.000 bytes. Há uma recomendação para cálculo desses parâmetros:
normal_burst = R * (1byte/8bits) * 1,5 segundos; onde R é a taxa configurada;
extended_burst = 2 * normal_burst.
4.3 Moldagem Frame Relay
Para controle e moldagem de tráfego em redes Frame Relay, utiliza-se o FRTS (Frame Relay Traffic Shaping),
que oferece parâmetros úteis, como o CIR (Committed Information Rate), EIR (Excess Information Rate),
FECN (Forward Explicit Congestion Notification), BECN (Backward Explicit Congestion Notification) e DE
(Discard Eligible). Com FRTS pode-se, por exemplo, limitar no CIR ou no EIR à taxa de pico do tráfego
de saída em cada VC (Virtual Circuit), procedimento denominado rate enforcement. Pode-se obter uma
maior granularidade no controle de tráfego, aplicando-se técnicas de enfileiramento como PQ (Priority Queueing)
ou CQ (Custom Queueing) [1] em cada VC ou no nível de subinterface. Combinando-se CQ e enfileiramento por VC com rate
enforcement, pode-se habilitar o VC a acomodar vários tipos de tráfego como IP, SNA e IPX, cada um com sua própria
banda garantida.
5. QoS em redes locais
De acordo com o modelo básico apresentado no item 1, fala-se sempre em qualidade de serviços fim-a-fim, significando
o caminho completo da origem ao destino do pacote, mas as tecnologias de QoS são mais comuns para redes de longa distância
como Frame Relay, ATM, PPP, HDLC, etc. E, na rede local, o que fazer para que uma aplicação de voz sobre IP, como um telefone
IP por exemplo, possa ter tratamento diferenciado da rede local até a rede de longa distância e daí chegar à rede
remota com a qualidade que a aplicaçao requer? A resposta está numa especificação de protocolo do IEEE denominada
IEEE 802.1p priority queueing. O 802.1p utiliza um procedimento similar ao de precedência IP [1] quando define 8 níveis
de prioridade de usuários (classes de tráfego), através de um rótulo (user_priority) de 3 bits que é
transmitido no frame Ethernet. Considerando, ainda, o exemplo do telefone IP, a precedência IP setada pelo telefone é
mapeada no nível de prioridade 802.1p correspondente, e o frame Ethernet segue para o switch. Se o switch for compatível
com 802.1p, ele classificará os frames Ethernet priorizando os de maior classe. Esse procedimento se repete até
o frame chegar ao roteador que realiza o procedimento inverso, classificando os frames Ethernet e mapeando o nível
de priodade 802.1p na precedência IP correspondente. Na rede de longa distância, o pacote, já com a precedência definida,
terá o tratamento de acordo com as técnicas de QoS já apresentadas. Se o switch não for compatível com 802.1p,
ele simplesmente irá ignorar
os rótulos e todos os frames serão transmitidos sem nenhum tratamento especial.
6. Conclusão
Há outros mecanismos para controle de tráfego, inibição de congestionamento e técnicas de enfileiramento
para qualidade de serviços, mas a maioria é similar ou derivada das tecnologias apresentadas nesses dois artigos. Completamos,
então, a apresentação dos principais métodos para obtenção de qualidade de serviços em redes IP.
Nos próximos artigos, serão abordados temas específicos sobre Telefonia IP. O compromisso continua valendo. Até lá!
7. Sites relacionados
[IETF] Internet Engineering Task Force: http://www.ietf.org [FRF] Frame Relay Forum: http://www.frforum.org [CISCO]
Cisco Connection Online: http://www.cisco.com/pcgi-bin/ibld/all.pl?i=support&c=2&m=GUEST (Technical Documents)
[DIFFSERV] Differentiated Services Working Group Charter: http://www.ietf.org/html.charters/diffserv-charter.htm [INTSERV]
Integrated Services Working Group Charter: http://www.ietf.org/html.charters/intserv-charter.html [RSVP] Resource Reservation Setup
Protocol Working Group Charter: http://www.ietf.org/html.charters/rsvp-charter.html [ISSLL] Integrated Services over Specific Link
Layers Working Group Charter: http://www.ietf.org/html.charters/issll-charter.html [DIFFSINT] Differential Service in the
Internet: http://diffserv.lcs.mit.edu [IETF/RNP] Mirror Oficial IETF no Brasil: http://www.ietf.rnp.br e
ftp://ftp.ietf.rnp.br
Referências bibliográficas
[1] Adailton Silva, Qualidade de Serviço em VoIP - Parte 1, Vol. 3, Nº. 3, RNP NewsGeneration, maio de 2000. [2]
Adailton Silva, Tecnologias de Alta Velocidade, VoIP e Internet2 - IComNet Tecnologia da Informação - Março/2000.
[3] Cisco Policing and Shaping Overview ,
http://www.cisco.com/univercd/cc/td/doc/product/software/ios120/12cgcr/qos_c/qcpart4/qcpolts.htm [4] Cisco -
Committed Access Rate White Paper , http://www.cisco.com/warp/public/cc/pd/iosw/tech/carat_wp.htm [5] Cisco Quality
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IP White Paper, V1.0, Cisco Systems, 1999. [7] Cisco Systems, Quality of Service for Voice over IP Solution Guide, V1.0, Cisco
Systems, 1998. [8] An Architecture for Differentiated Services http://www.ietf.org/rfc/rfc2475.txt ou
ftp://ftp.ietf.rnp.br/rfc/rfc2475.txt [9] Integrated Services in the Internet Architecture: an Overview
http://www.ietf.org/rfc/rfc1633.txt ou ftp://ftp.ietf.rnp.br/rfc/rfc1633.txt [10] Definition of the Differentiated
Services Field (DS Field) in the IPv4 and IPv6 Headers http://www.ietf.org/rfc/rfc2474.txt ou
ftp://ftp.ietf.rnp.br/rfc/rfc2474.txt [11] Resource reSerVation Protocol (RSVP) - Version 1 Functional Specification
http://www.ietf.org/rfc/rfc2205.txt ou ftp://ftp.ietf.rnp.br/rfc/rfc2205.txt [12] Integrated Service Mappings on IEEE
802 Networks http://www.ietf.org/internet-drafts/draft-ietf-issll-is802-svc-mapping-04.txt [13] Cisco Connection Online
IOS Quality of Service http://www.cisco.com/warp/customer/732/Tech/quality.shtml [14] Cisco Systems, Cisco IOS Quality of
Service Solution White Paper, 1998. [15] Paul Ferguson, Evaluating Quality of Service: Surveying New QoS Technologies,
Re-Engineering The Internet - Cisco Systems, 1998. [16] Paul Ferguson, Quality of Service in the Internet: Fact, Fiction, or Compromise?
http://www.employees.org/~ferguson/inet_qos.htm [17] Oliver Hersent, David Gurle e Jean-Pierre petit, IP Telephony
Packet-based multimedia communications systems, Pearson Education Limited, 2000. RNP – Rede Nacional de Ensino e Pesquisa
Copyright © RNP, 1997 – 2004
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