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Cresce volume de ligações pela web

Será que os telefonemas pela internet chegaram para ficar? A mais recente edição de TeleGeography, resumo anual de estatísticas de comunicação, sugere que esta pode se tornar a tecnologia predominante para transmissões ainda nesta década. Especialistas em telecomunicações já prevêem há vários anos que as ligações via VoIP (voz sobre protocolo de internet, Voice Over Internet Protocol) acabariam se tornando mais um serviço entre os diversos oferecidos pela rede mundial. A ligação VoIP substituiria as atuais redes públicas de telefonia comutada. Agora, as estatísticas confirmam essas previsões. TeleGeography observa que, há apenas quatro anos, o tráfego internacional via VoIP representava menos de 0,5% do volume mundial de chamadas. Mas, como informa o relatório, “no final de 2001 o tráfego VoIP já havia aumentado para 9,9 bilhões de minutos – mais de 6% de todo o tráfego internacional”. O relatório previa que o tráfego total em 2002 atingiria 18 bilhões de minutos, ou seja, mais de 10% do tráfego internacional previsto para o ano. São números notáveis para uma tecnologia que, até poucos anos atrás, era considerada uma simples novidade da moda, uma forma imperfeita de transmissão que só interessava aos fanáticos por computação. Na época, as operadoras internacionais de telecomunicações acompanhavam com interesse a evolução dos serviços VoIP, mas não davam sinais de querer adotar essa tecnologia. Hoje, todas estão enviando tráfego de voz via internet, utilizando sua própria infra-estrutura ou a capacidade de grandes operadoras, como iBasis, Net2Phone ou ITXC, a líder do mercado americano. Um exame objetivo mostra que a internet não é adequada às chamadas de voz. O tráfego pela internet – que tanto pode ser de dados como de voz – se subdivide em “pacotes” de informação, cada um com seu próprio endereço, que são enviados através da rede pela rota mais eficiente. Ao chegar ao destino são reorganizados, formando novamente a mensagem original. Isso funciona bem para a transmissão de dados, que não depende da comunicação instantânea, mas é problemático para as chamadas de voz, onde existe a possibilidade de atrasos e sentenças misturadas e ininteligíveis. Nos últimos anos, empresas como a Vocaltec, pioneira da VoIP listada na Nasdaq, vêm melhorando essa tecnologia. Segundo Tom Evslin, CEO da ITXC, já se chegou num ponto em que as chamadas são quase idênticas às equivalentes convencionais. A ITXC, que começou a funcionar em 1997, usa uma combinação de hardware e software da Cisco e da Vocaltec. Ela não tem dívidas, como explica Evslin, porque faz o roteamento do tráfego pela internet pública e, portanto, não teve a despesa de implementar nova infra-estrutura de rede. Mas como a internet pública é cheia de incertezas, a ITXC desenvolveu um software para garantir a passagem de suas mensagens. Ela envia “pacotes de prova” para detectar pontos congestionados. Com isso, consegue rotear o tráfego evitando engarrafamentos. Mas a pergunta continua: onde estão os benefícios do VoIP? Afinal, o assinante não se importa em saber se sua chamada vai passar pela internet ou por uma rede de circuitos comutados – a menos que haja piora significativa na qualidade. Do ponto de vista da operadora, os circuitos comutados são perfeitamente adequados para as chamadas de voz. A resposta, como acontece em tantos aspectos da telefonia internacional, é política e econômica. A análise de tráfego mostra que a VoIP é mais forte nos países onde é mais alto o custo de se completar uma chamada. Em geral, a operadora direciona a chamada internacional para um certo país e paga a uma operadora local para completar a chamada. Como observa TeleGeography, “se o volume de tráfego sugere que VoIP já se tornou uma tecnologia de uso corrente, os principais destinos das chamadas VoIP mostram que ela é, até agora, usada basicamente para arbitragem de tarifas em finalização de chamadas”. Segundo o relatório, “17 dos 20 maiores destinos VoIP nas chamadas a partir dos EUA são países em desenvolvimento, que proíbem a interconexão direta e têm altos custos para completar chamadas”. Como isso funciona? O cliente liga para um número internacional e a chamada é roteada para um computador gateway (que interliga duas ou mais redes) no país de origem. Ali é convertida para o formato internet e enviada para um computador gateway no país da finalização da chamada, onde é convertida para o formato analógico e transmitida como chamada local. A operadora não paga tarifa pela finalização internacional. É possível que, no futuro, a VoIP se torne a tecnologia preferida para as chamadas internacionais por voz. No momento, porém, seu notável crescimento resulta mais de fatores políticos do que tecnológicos. Autor: Alan Cane

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